Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

O Coração que Lê

 

Publico o poema — e ele parte,

pássaro de tinta buscando abrigo.

Mas cada olhar lhe dá um rosto,

cada alma lhe empresta um destino.

 

Quem o lê com sombra, vê um eclipse;

quem o lê com medo, encontra abismos;

quem o lê cansado, só vê noite;

quem o lê ferido, sangra nos ritmos.

 

Poemas são espelhos d’água:

refletem o céu que o leitor carrega.

Se há tempestade, eles se agitam;

se há bonança, viram clareza.

 

Mas há versos que guardo num cofre

feito de silêncio e respiração.

Neles escondi um amor sem ruído,

uma chama que não pede perdão.

 

Para entender esse lume secreto

não basta a técnica, nem o saber:

é preciso um coração lavado,

sem truques, disposto a crer.

 

Só quem ama com mãos desarmadas

ouve o que o poema não diz;

lê a luz entre as palavras

e percebe: o amor é o que escreve —

o resto, apenas o que se lê.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 31/10/2025
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