Lá onde o sol demora a nascer,
e o frio escreve poemas nas janelas,
existe um porto que guarda teu nome —
um eco distante do meu querer.
As gaivotas dançam sobre mares gelados,
como se soubessem o segredo do nosso amor.
Entre névoas e pontes, te imagino chegando,
com o vento siberiano penteando teu olhar.
Dizem que a cidade dorme sob auroras tardias,
mas sei que há fogo nas tuas mãos.
Teu toque é farol em meio à neve,
meu abrigo, mesmo sem horizonte.
E quando o mar do leste se acalma,
ouço tua voz misturada ao sal do mundo.
Não preciso do mapa — o coração é bússola:
sempre aponta para o leste,
onde tu existes,
onde o amor tem nome difícil,
mas sentido exato.
Pois é lá, nesse canto gelado do planeta,
que meu desejo faz morada,
e minha alma, sem passaporte,
te visita toda noite.