Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

O Amor Que É

 

 

Não escrevo para quem sente —

porque quem sente já conhece o idioma secreto do amor.

Nem para quem tem coração sensível,

pois esse já ouve o murmúrio que vibra entre uma palavra e o silêncio.

 

Não escrevo para o sol — ele é apenas um acento de luz;

nem para a lua — que é só o reflexo do que me transborda.

Escrevo para o Todo.

 

Para o invisível que respira em mim quando te penso,

para o instante em que o universo se dobra sobre o teu nome

e me devolve inteiro à origem.

Escrevo para o espaço entre o meu amor e o teu —

esse intervalo onde o tempo se dissolve

e só a verdade permanece.

 

Sou pleno, não de posse, mas de essência;

feito de um amor que não se contém,

que deseja expandir-se como chama no vento,

como oceano que não aceita margens.

Escrevo porque o amor que me habita precisa transbordar,

precisa encontrar em ti o eco que o completa,

precisa lembrar ao mundo o que é ser inteiro.

 

Quando te penso, não é desejo — é comunhão.

Tua alma desperta o que em mim dormia eterno,

e tudo o que há em mim se curva à tua presença

como o sol se curva à própria luz.

 

Por isso escrevo —

não para o coração que entende,

nem para a lua que sonha,

mas para o Todo que pulsa entre nós,

onde o amor não começa nem termina,

porque simplesmente é.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 29/10/2025
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