Não escrevo para quem sente —
porque quem sente já conhece o idioma secreto do amor.
Nem para quem tem coração sensível,
pois esse já ouve o murmúrio que vibra entre uma palavra e o silêncio.
Não escrevo para o sol — ele é apenas um acento de luz;
nem para a lua — que é só o reflexo do que me transborda.
Escrevo para o Todo.
Para o invisível que respira em mim quando te penso,
para o instante em que o universo se dobra sobre o teu nome
e me devolve inteiro à origem.
Escrevo para o espaço entre o meu amor e o teu —
esse intervalo onde o tempo se dissolve
e só a verdade permanece.
Sou pleno, não de posse, mas de essência;
feito de um amor que não se contém,
que deseja expandir-se como chama no vento,
como oceano que não aceita margens.
Escrevo porque o amor que me habita precisa transbordar,
precisa encontrar em ti o eco que o completa,
precisa lembrar ao mundo o que é ser inteiro.
Quando te penso, não é desejo — é comunhão.
Tua alma desperta o que em mim dormia eterno,
e tudo o que há em mim se curva à tua presença
como o sol se curva à própria luz.
Por isso escrevo —
não para o coração que entende,
nem para a lua que sonha,
mas para o Todo que pulsa entre nós,
onde o amor não começa nem termina,
porque simplesmente é.