Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

O Coração do Vazio

 

Há um rio que corre dentro do peito,

feito de silêncio líquido e fogo imóvel.

Nele flutuam pedaços de mim —

ecos de um amor que não aprendeu a morrer.

 

As paredes são espelhos de névoa,

onde tua ausência dança como luz cansada.

Tudo o que toco se desfaz em lembrança,

tudo o que lembro se refaz em saudade.

 

O tempo, esse artesão cruel,

talha em mim o relevo do que não volta.

E mesmo o vento, quando passa,

parece sussurrar teu nome entre as cortinas.

 

Ainda assim, o vazio pulsa —

não como morte, mas como promessa.

Ele sangra auroras, renasce em poeira de estrelas,

e me ensina que perder também é forma de amar.

 

Porque há amores que não se apagam,

apenas se expandem em silêncio,

até preencher o universo inteiro

com a ausência de um só ser.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 27/10/2025
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