O Coração do Vazio
Há um rio que corre dentro do peito,
feito de silêncio líquido e fogo imóvel.
Nele flutuam pedaços de mim —
ecos de um amor que não aprendeu a morrer.
As paredes são espelhos de névoa,
onde tua ausência dança como luz cansada.
Tudo o que toco se desfaz em lembrança,
tudo o que lembro se refaz em saudade.
O tempo, esse artesão cruel,
talha em mim o relevo do que não volta.
E mesmo o vento, quando passa,
parece sussurrar teu nome entre as cortinas.
Ainda assim, o vazio pulsa —
não como morte, mas como promessa.
Ele sangra auroras, renasce em poeira de estrelas,
e me ensina que perder também é forma de amar.
Porque há amores que não se apagam,
apenas se expandem em silêncio,
até preencher o universo inteiro
com a ausência de um só ser.