Há um instante em que tudo muda —
quando a alma, cansada de esperar,
decide erguer-se de dentro.
Não é renascimento — é lembrança.
A chama sempre esteve ali,
sufocada por medos herdados,
por silêncios impostos,
por amor esquecido de si.
Mas um dia o coração estala,
como semente rasgando a terra,
e o corpo inteiro ouve o chamado:
“levanta-te, és teu próprio milagre.”
Nascer em si mesmo é incendiar a dúvida,
é olhar o espelho e ver o universo conspirando.
É dizer “sim” à própria força
sem pedir permissão ao passado.
É redescobrir o poder de criar,
de transformar cicatriz em mapa,
de transformar queda em voo,
de transformar dor em direção.
Ser luz é mais que iluminar —
é escolher arder com propósito.
E quem nasce em si mesmo
não teme mais o escuro,
pois aprendeu que o sol também vive dentro.
E então, o impossível se curva,
a vida se expande,
e o ser — enfim desperto —
sorri para o horizonte,
sabendo que o futuro
nasce agora,
em si.