Fogo em Silêncio
O corpo arde —
não sei se é febre ou saudade.
O ar que respiro tem teu gosto,
e o mundo inteiro parece pulsar teu nome.
Entre sombras e luzes do quarto,
teu eco me encontra primeiro.
O desejo é faísca em minha pele,
e a lembrança, incêndio inteiro.
Há um perfume de incêndio no ar —
não de cinzas, mas de entrega.
Minhas mãos tremem pela ausência,
meu peito sangra pela espera.
Amar-te é loucura lúcida,
é ter o coração submerso
num mar que não tem fim.
E mesmo afogando, sorrio,
porque é em ti que quero morrer —
e renascer, amor,
de novo, e de novo,
até que o fogo se torne calma.