O Amor Depois do Fôlego
Antes de você, o amor era vertigem —
corrida cega contra o próprio peito,
fogo que ardia sem pausa,
respiração curta, coração em tumulto.
Eu media o sentir em batidas por segundo,
em urgências que confundiam desejo e salvação.
Mas então, você.
E o tempo se inclinou diante do silêncio.
O amor desaprendeu a pressa,
aprendeu a respirar.
De repente, o que me prendia o ar
começou a devolvê-lo.
O coração não disparava —
dançava.
E a calma deixou de ser ausência,
virou intensidade contida,
ardor sem ruído,
chama que ilumina sem ferir.
Entre um suspiro e outro,
descobri que o amor não é o que acelera,
é o que sustenta.
Não o que consome,
mas o que permanece.
Você não foi meu furacão,
foi o ar depois da tempestade.
Foi o instante em que percebi
que amar não é perder o fôlego,
é aprender a respirá-lo.
E nesse espaço onde o silêncio fala,
onde a pele escuta,
onde o tempo não pesa,
descobri que o amor — o verdadeiro —
não precisa correr para chegar.
Ele apenas existe,
pleno, maduro,
como o sol que não se apressa,
mas nunca deixa de nascer.