Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

O Amor Depois do Fôlego

 

Antes de você, o amor era vertigem —

corrida cega contra o próprio peito,

fogo que ardia sem pausa,

respiração curta, coração em tumulto.

Eu media o sentir em batidas por segundo,

em urgências que confundiam desejo e salvação.

 

Mas então, você.

E o tempo se inclinou diante do silêncio.

O amor desaprendeu a pressa,

aprendeu a respirar.

 

De repente, o que me prendia o ar

começou a devolvê-lo.

O coração não disparava —

dançava.

E a calma deixou de ser ausência,

virou intensidade contida,

ardor sem ruído,

chama que ilumina sem ferir.

 

Entre um suspiro e outro,

descobri que o amor não é o que acelera,

é o que sustenta.

Não o que consome,

mas o que permanece.

 

Você não foi meu furacão,

foi o ar depois da tempestade.

Foi o instante em que percebi

que amar não é perder o fôlego,

é aprender a respirá-lo.

 

E nesse espaço onde o silêncio fala,

onde a pele escuta,

onde o tempo não pesa,

descobri que o amor — o verdadeiro —

não precisa correr para chegar.

Ele apenas existe,

pleno, maduro,

como o sol que não se apressa,

mas nunca deixa de nascer.

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 22/10/2025
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