Ame-se
Antes de aprender o amor universal,
é preciso lembrar-se do que habita o espelho.
O reflexo não é vaidade — é semente.
Quem o rejeita, seca por dentro
mesmo que regue jardins alheios.
Muitos oferecem flores ao mundo,
mas esquecem de colher o próprio perfume.
Outros curam feridas alheias
com mãos que sangram em silêncio.
Confundem doação com esquecimento,
entrega com abandono,
e chamam isso de amor.
O amor verdadeiro começa no centro.
Não é egoísmo, é alinhamento:
é a chama que primeiro aquece a própria alma
para depois iluminar os caminhos ao redor.
Cuidar de si é honrar a Vida,
é dizer ao universo: “Estou pronto.”
É reconhecer-se templo e instrumento,
corpo e essência,
partícula e cosmos em harmonia.
Quem se ama de verdade
não se esconde atrás da bondade aparente,
nem se apaga para que outros brilhem —
aprendeu que a luz é infinita
e que brilhar junto é o sentido da existência.
Ame a si mesmo, sem disfarces,
sem culpas herdadas nem máscaras de pureza.
Ame-se com ternura, com respeito,
com o sagrado cuidado de quem entende
que só pode oferecer plenitude
quem já a descobriu dentro de si.
Pois o amor não é um dever — é um estado.
E quem o vive em si, naturalmente o espalha,
como o sol que, sendo inteiro,
ainda aquece todos os mundos.