Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Ame-se

 

Antes de aprender o amor universal,

é preciso lembrar-se do que habita o espelho.

O reflexo não é vaidade — é semente.

Quem o rejeita, seca por dentro

mesmo que regue jardins alheios.

 

Muitos oferecem flores ao mundo,

mas esquecem de colher o próprio perfume.

Outros curam feridas alheias

com mãos que sangram em silêncio.

Confundem doação com esquecimento,

entrega com abandono,

e chamam isso de amor.

 

O amor verdadeiro começa no centro.

Não é egoísmo, é alinhamento:

é a chama que primeiro aquece a própria alma

para depois iluminar os caminhos ao redor.

 

Cuidar de si é honrar a Vida,

é dizer ao universo: “Estou pronto.”

É reconhecer-se templo e instrumento,

corpo e essência,

partícula e cosmos em harmonia.

 

Quem se ama de verdade

não se esconde atrás da bondade aparente,

nem se apaga para que outros brilhem —

aprendeu que a luz é infinita

e que brilhar junto é o sentido da existência.

 

Ame a si mesmo, sem disfarces,

sem culpas herdadas nem máscaras de pureza.

Ame-se com ternura, com respeito,

com o sagrado cuidado de quem entende

que só pode oferecer plenitude

quem já a descobriu dentro de si.

 

Pois o amor não é um dever — é um estado.

E quem o vive em si, naturalmente o espalha,

como o sol que, sendo inteiro,

ainda aquece todos os mundos.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 22/10/2025
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