Quando o amor não sente
Caminhava leve, distraído,
até que o ar mudou de tom —
era ela.
O mundo se estreitou num instante,
o tempo se curvou ao coração.
Sorriso pronto, alma aberta,
tudo em festa silenciosa.
Mas ela passou —
como quem atravessa um sonho
sem saber que é lembrança.
Doeu.
Não por não ter sido visto,
mas por não ter sido sentido.
Porque os olhos podem falhar,
mas o coração não mente:
quando há amor,
até o silêncio reconhece.
E ali, entre a multidão e o vazio,
ele entendeu —
não era o destino que separava,
era apenas o amor
que não o sentia mais.