Diante de cada ato, dois portais silenciam.
O primeiro pergunta: traz sombra ao meu espírito?
Se o gesto me escurece, detenho o passo —
pois o que corrói por dentro, um dia transborda no mundo.
Se permaneço claro, o segundo se abre: apaga a luz de alguém?
Se a resposta pesa no coração, recolho a mão —
pois nenhuma chama é pura
se queima a casa de outro ser.
Mas se o caminho não fere nem em mim, nem em ninguém,
então ajo com alegria,
e deixo o ato fluir como rio entre margens em paz.
O mundo é uma balança invisível
que mede intenções antes de frutos;
o Universo gira em espiral,
e tudo o que lanço retorna com meu nome gravado na brisa.
Que minhas escolhas sejam ponte,
boa para mim, boa para o outro, boa para o Todo.
Pois o bem que divide é ilusão,
e o bem que une é verdade.
Que eu me lembre sempre:
harmonia é o pacto secreto entre o eu e o nós.
Equilíbrio é o compasso do justo no tempo.
Escolher é invocar destino —
ou se eleva, ou se fere.
Que cada decisão nasça clara,
e que de mim se espalhe o gesto que cura —
a bênção que alimenta a vida,
em mim, no outro, e no infinito.