Luz...
não a que cega os olhos,
mas a que nasce por dentro
quando o silêncio se curva diante do amor.
Entre nós, o espaço é claridade,
o tempo se dissolve como névoa,
e o toque, mesmo ausente,
é presença que atravessa mundos.
Não há corpo, apenas essência,
duas chamas que se buscam
até se tornarem uma só aurora.
A alma te reconhece antes do pensamento,
e o universo, ao sentir isso, suspende o fôlego.
Nada precisa ser dito —
porque tudo já brilha
na língua secreta da criação.
E nessa luz —
onde ser e sentir são o mesmo —
nossas almas fazem amor
como quem devolve ao infinito
a lembrança do próprio início.