Ecos de Ti
Há um vazio em mim que transborda,
como o rio que esqueceu de parar —
leva consigo o que resta de calma,
e traz de volta o que ainda ousa amar.
Meu coração, cansado e trêmulo,
geme lembranças como se fossem preces;
e na memória dos teus lábios úmidos
repousa a febre que o tempo não esquece.
A casa está limpa, mas o ar está doente —
tua ausência é o pó que não se varre,
é o eco que dorme nos lençóis,
é o frio que se cobre com saudade.
E quando o sol vem —
uma fagulha de alegria atravessa a sombra,
mas morre devagar, ao cair da tarde,
como uma esperança que se despede sem palavra.
No pensamento, teus passos;
na alma, teus fantasmas dançam.
Sou o palco vazio onde o amor insiste em ensaiar,
ainda que o ator já tenha partido.
E nesta solidão que canta baixinho,
guardo a promessa silenciosa:
um dia, a dor será jardim —
e outro amor, colheita