Amanheço em chamas mansas.
O sol toca minha pele
como se fosse tua boca voltando.
Entre os lençóis, o ar é incenso —
resto de ti queimando lento,
mistério que não quer ser explicado.
Descubro, enfim,
que o amor é rito de fogo:
não se apaga — se transforma.
Que a carne, quando cede,
não se perde — se revela.
E que o prazer é só a forma
como o sagrado lembra
que também tem pele.
Teu nome vibra em mim,
não como lembrança,
mas como frequência.
É meu corpo quem reza agora,
sem palavras,
sem culpa,
sem medida.
E se o mundo me visse agora,
veria um templo aberto
onde o desejo e a alma
se ajoelham juntos —
não pedindo,
mas celebrando
o dom de arder e renascer.