Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Ao Amanhecer do Desejo

 

Amanheço em chamas mansas.
O sol toca minha pele
como se fosse tua boca voltando.
Entre os lençóis, o ar é incenso —
resto de ti queimando lento,
mistério que não quer ser explicado.

 

Descubro, enfim,
que o amor é rito de fogo:
não se apaga — se transforma.
Que a carne, quando cede,
não se perde — se revela.
E que o prazer é só a forma
como o sagrado lembra
que também tem pele.

 

Teu nome vibra em mim,
não como lembrança,
mas como frequência.
É meu corpo quem reza agora,
sem palavras,
sem culpa,
sem medida.

 

E se o mundo me visse agora,
veria um templo aberto
onde o desejo e a alma
se ajoelham juntos —
não pedindo,
mas celebrando
o dom de arder e renascer.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 18/10/2025
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