Recomeçar é tocar o chão de novo,
com os pés descalços da alma,
é olhar o horizonte e aceitar
que o sol nasce mesmo depois da noite mais longa.
É o instante em que o medo e a esperança
sentam-se à mesma mesa —
um tremendo em silêncio,
o outro servindo o café do novo dia.
Recomeçar é dar à vida um voto de fé,
é acreditar que as cicatrizes são portais,
que o fracasso ensina a linguagem do possível,
e que cada queda é uma ponte para seguir.
É abrir janelas no coração,
deixar o vento varrer os cacos do ontem,
e plantar, nas frestas do peito,
as sementes de um amanhã mais leve.
Recomeçar é despedir-se com gratidão
do que já não cabe —
é guardar a lição, não a dor;
é permitir que a primavera entre,
colorindo de verde o que o inverno congelou.
E se o choro vier, que seja rio,
lavando a alma para o novo passo.
Pois todo recomeço é milagre disfarçado,
é a prova de que o amor de Deus
ainda acredita em nós.
E quando o ciclo se fecha,
e o coração sussurra “vai”,
que a coragem te abrace,
e o medo se curve diante da tua fé.
Recomeçar é ser aprendiz da vida —
uma vez mais, outra vez,
quantas forem necessárias —
até que o medo se canse,
e reste apenas a esperança
dançando com o tempo,
num eterno começo.