O AMOR QUE ULTRAPASSA O INFINITO
Não é um conto — é um estado de alma.
É preciso silêncio, vinho e chama,
um lume aceso dentro do peito
para compreender o que aqui se narra:
um amor tão vasto
que o próprio universo lhe abre espaço
e ainda assim, é pequeno demais para contê-lo.
Ele — um homem comum,
mas com o coração de um deus distraído;
ela — uma centelha vestida de carne,
misteriosa como o perfume de uma lembrança antiga.
Quando seus olhares se tocaram,
os astros interromperam o giro,
as marés suspenderam o fôlego,
e o tempo, submisso, curvou-se em reverência.
Era um amor que não se aprendia nos livros,
nem se provava nas horas:
um amor que se expandia,
crescia além do cosmos,
aguardava o universo se dilatar
só para amá-la mais um pouco —
e depois recomeçar.
Nos dedos dela havia magia:
tocá-la era acender-se,
respirar o perfume do divino,
lembrar-se do motivo de existir.
Ele carregava o aroma das mãos dela
como um relicário invisível,
bebendo saudade como quem bebe vida.
E quando os lábios enfim se encontraram,
a Terra, exausta de girar, parou —
para que os deuses pudessem assistir.
O beijo era fusão,
era batismo de fogo e maresia,
era o verbo se fazendo carne
num altar de respiração e entrega.
Não era paixão — era destino;
não era desejo — era criação.
Do encontro dos dois, nascia o próprio amor,
reaprendendo a amar-se através deles.
E se o corpo tremia, era o espírito
reconhecendo o caminho de volta ao lar.
Na entrega, foram selvagens e sagrados,
inocentes e eternos,
porque quem ama de verdade
não mede, não calcula —
simplesmente queima.
E no ardor dessa chama,
descobriram o mistério maior:
que o amor é o único fogo
que quanto mais consome,
mais ilumina.
Por isso, quando o narrador se cala,
as palavras seguem acesas
nos corações que ousaram senti-las.
Porque o amor deles,
meu caro leitor,
não cabe no tempo,
nem no fim.
É o amor que ultrapassa o infinito.