Ansiedade é querer o amanhã
com o coração ainda preso no hoje.
É pedir ao sol que nasça à meia-noite,
e exigir do botão o perfume do fruto.
Mas toda semente tem seu compasso,
todo desabrochar pede silêncio.
O tempo não se apressa —
ele dança conforme o vento e a seiva.
A flor não teme o instante de espera:
ela sabe que o fruto virá,
quando o orvalho for memória
e o amor, amadurecimento.
Então sossega, alma ansiosa —
o que é teu está crescendo agora,
mesmo que ainda em botão.
E quando abrir,
teu próprio coração será o jardim.