A Arquitetura do Sentir
No traço sagrado do universo, o amor desenha-se.
Nasce do ponto — essência indivisa —
e expande-se em linhas que se buscam,
até curvarem-se em ternura,
como quem se rende ao destino da própria órbita.
Há quem o veja em ângulos retos,
tentando medir o imensurável;
mas ele prefere a parábola dos gestos,
a hipotenusa dos corpos que se tocam
para formar o triângulo da alma:
eu, tu e o mistério.
O amor é o círculo perfeito —
sem arestas, sem esquinas, sem tempo —
onde o princípio é também o reencontro,
e o fim não existe,
pois tudo o que se ama retorna.
O coração é apenas o rascunho humano
daquilo que os deuses já sabiam:
que o amor, em sua pureza geométrica,
é luz que se curva sobre si mesma
para não deixar nenhum ponto na sombra.
E se por vezes somos retas distantes,
paralelas em planos de espera,
é apenas porque o infinito
é o ponto de encontro das promessas eternas.
Lá, onde a linha se fecha em círculo,
onde o tempo se dissolve em cor,
seremos a figura completa —
a geometria do amor
em sua mais pura forma de luz.