A ansiedade é o corpo lembrando do fogo
antes que a chama o toque.
É o desejo respirando apressado,
como se o tempo fosse obstáculo
entre o agora e o instante de entrega.
Há um sussurro na pele
que implora por ser decifrado,
um calor que se forma em segredo,
como se a flor, ainda fechada,
já sonhasse com o néctar.
Mas o amor, mesmo quando febre,
precisa do tempo de um suspiro —
pois é no quase, no ainda não,
que o prazer desenha seu perfume.
E quando enfim a flor se abre,
não há mais pressa, nem espera:
há apenas o corpo,
esse templo de eternos instantes,
onde o desejo deixa de ser ansiedade
e se torna luz que respira.