Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
Capa Textos E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links
Textos

Camisa de Festa

 

A festa seria o maior acontecimento do ano. Para sua 171ª edição, eram esperadas mais de mil pessoas. Os habitantes dos povoados vizinhos, eram os primeiros a chegar no local. Os mais apressados, apareciam com os primeiros raios de sol.

Uma semana antes do evento, a comunidade reunia-se diariamente para organizar os detalhes da festa, que consistia basicamente em limpar, ornamentar o salão, podar as árvores e aparar o gramado.

O dedicado Juca, sempre participava da organização do evento e, após vários anos, finalmente foi indicado para a comissão organizadora que, por sua vez, era escolhida dentre os membros da comunidade.

Juca empolgou-se tanto com a indicação, que só foi lembrar que precisava de uma camisa nova, três dias antes do evento. No final da tarde, depois de ter dedicado o dia de trabalho à festa, foi ao alfaiate, que ficava num povoado vizinho.

Chegando lá, tirou às medidas mas, antes de confirmar preço,o alfaiate lhe respondeu.

- Vai ficar pronta na terça-feira.

- Terça-feira? Não. Não pode. Preciso dessa camisa para domingo.

- Impossível meu rapaz. Estou abarrotado de encomendas para o Imperador,e sabes como é, se eu não atendê-lo no prazo, ele me expulsa de suas terras.

- Compreendo, mas eu tenho uma festa para ir no domingo.

- Olha meu amigo, infelizmente eu não posso lhe ajudar, mas sugiro que compres uma camisa já pronta. O Zéca do armazém de secos e molhados também vende camisas, fica logo ali, no povoado Miss Brasil.

Com o seu desejo interrompido, voltou para casa. À noite, apesar do cansaço, demorou para pegar no sono, pois os preparativos para a festa lhe invadiam o pensamento incessantemente. Acordou atrasado, e foi imediatamente para o Miss Brasil. Dobrou a esquina, e lá estava o armazém, na verdade, o único. Aguardou o proprietário terminar de abrir o estabelecimento e entrou. Olhou em sua volta, e pediu ao seu Zéca a tal camisa "pronta".

Em poucos minutos, visivelmente triste, saiu do armazém e foi para sua casa apressado, pois queria chegar antes do anoitecer e descansar para a festa no dia seguinte.

No domingo, levantou cedo e foi se certificar de que tudo estaria devidamente organizado. A caminho do local, passou pela casa do vizinho que, ao avistá-lo, logo saiu gritando.

- Juca, cadê a camisa nova?

- Não comprei. Faltou tempo.

- Como, faltou tempo? Você não foi comprá-la ontem no Miss Brasil?

- Fui sim, vizinho. É que eu esqueci de levar as medidas, deixei-as em casa.

- E, porque não comprou assim mesmo?

- Ora! Vizinho. Como eu iria comprá-la, se eu não tinha as medidas comigo? E, você sabe, eu confio no meu alfaiate.

- É vizinho, você está certo. Ultimamente não dá para confiar em ninguém mesmo.

- O pior, meu amigo, é gastar dinheiro com uma camisa e depois ter que correr o risco de não poder usá-la.

 - Você é mesmo sabido, hein, Vizinho!

Apontado para a própria camisa, Juca ainda complementa.

- Sou mesmo. Além do mais, a que estou usando, ainda parece nova.

Assim, os dois apressam o passo e seguem calados para a festa.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 26/06/2007
Alterado em 01/07/2007
Comentários
Capa Textos E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links