Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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As faces da Polidez.

Nos dias atuais, somos constantemente surpreendidos com denuncias de envolvimento de autoridades e outras pessoas públicas com atividades ilegais ou no mínimo imorais.
Essas personalidades passam boa parte da vida construindo sua imagem de probidade, honradez e integridade. Geralmente são vistas como pessoas de boa educação, civilidade e polidez, pois assim o fazem para atrair nossa confiança, admiração e respeito.
A polidez sempre é utilizada e facilmente identificada, quando alguém necessita de algo em que o poder de escolha e ou decisão de fornecê-lo é seu.
Um bom exemplo é uma disputa eleitoral, seja para a eleição do síndico do prédio ou para presidente da república, em que o poder do voto esta em suas mãos. Para conquistá-lo, o candidato utilizará todas as estratégias possíveis, estudando inclusive qual seu ponto mais vulnerável para obter o que deseja.
A polidez, simpatia e cordialidade são amplamente usadas para conquistar sua confiança. Essas técnicas acabam criando na nossa mente, consciente ou inconsciente a imagem de que necessitam e passamos a admirá-los como pessoas cumpridoras de seus deveres e funções, sejam sociais ou morais.
A polidez é uma virtude, talvez a menor das virtudes, mas certamente a que mais nos engana na construção da imagem que temos de outras pessoas. É um artifício muito eficiente que pode ser aprendido e consequentemente aperfeiçoado. É também utilizado para encobrir muitas falhas, especialmente as morais.
Deste modo, quando essas pessoas se envolvem em um escândalo ficamos surpresos, pois essa imagem se estilhaça. Facilmente consideramos aceitável que uma pessoa mal educada, grosseira ou inculta, diante de um ato criminoso ou imoral, possa ser compreendida e até perdoada pela digamos incivilidade.
Porém, consideramos indemissível uma pessoa polida, ou seja, civilizada, culta e bem-educada possa fazer isso.
O que parece marcar nossas reações e atitudes é muito mais o choque da quebra da imagem, o contraste da expectativa do comportamento com a ação, que o próprio ato, maldade ou o crime cometido.
A Polidez só dá aparência de moralidade e honestidade, mas não nos eleva a elas. Não há diferença entre um assassino, seja ele polido ou não.Contudo, o polido choca muito mais, torna-se mais detestável justamente por esconder-se atrás da polidez.
Diante disso, seja qual for o ato ou ação praticada por qualquer uma das pessoas, deveriam ser igualmente condenados.
Muitas das virtudes, consideradas indiscutíveis se apóiam na polidez para se manifestarem, e certamente é ela que melhor contribui para nos diferenciar um pouco mais dos animais.
Jair A Pauletto
Enviado por Jair A Pauletto em 24/01/2007
Alterado em 08/11/2011
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